
Companheiro Lula,
Escrevo esta carta, para tratar de um assunto bastante importante, para mim e para cidade de Campinas.
Lula, você acompanhou bem de perto a trajetória do companheiro Toninho: dos momentos mais difíceis, de rupturas necessárias, corajosas, aos de grande alegria e emoção, como a campanha que nos levou de volta ao governo municipal. Você prestigiou nossa trajetória política na cidade de Campinas, viu e sentiu a esperança que contagiou milhares de pessoas em nossa cidade.
Sei que você também acompanhou a vida acadêmica e militante do Toninho, antes da chegada dele ao governo municipal. Sua tese de doutorado que estudou Campinas, profundamente, do passado ao presente, serve, hoje, de referência para toda uma geração de intelectuais políticos em nossa cidade.
Toninho tornou-se um patrimônio de Campinas, não somente do PT, mas de todos que amam essa cidade e depositaram suas esperanças em nosso companheiro assassinado.
E é sobre isso que trata esta carta, do assassinato do cidadão campineiro, militante do PT, e lutador das causas populares: Antônio da Costa Santos.
Você estava aqui conosco naquele dia 11 de setembro
de 2001 e viu mais de 120.000 mil pessoas chorando a morte
de seu prefeito.
Depois daquele dia, começamos uma outra batalha: pelo
esclarecimento do caso. A polícia prendeu, rapidamente,
alguns suspeitos e teve que libertá-los por falta de
provas e ainda foi acusada de tortura. Logo depois, acusaram
a quadrilha de um famoso sequestrador de Campinas. O curioso
é que os suspeitos de ocuparem o carro, durante o crime,
foram exterminados pela polícia civil em operação
não autorizada, na cidade de Caraguatatuba. Segundo
o próprio ouvidor da polícia, na época,
não existiu reação. A polícia
executou, sumariamente, aquelas pessoas. O criminoso, acusado
de chefiar a quadrilha, já assumiu vários sequestros
na região, no entanto, não assume a autoria
desse crime. O pior de tudo é a versão da polícia.
Acredite, companheiro Lula, ela sustenta a tese de que Toninho
estava na rota de fuga de bandidos, e que foi assassinado
por estar atrapalhando o trânsito.
Segundo pesquisa encomendada ao Ibope pelo PT, a ampla maioria dos campineiros e campineiras acredita em crime político (70%), pouquíssimos acreditam em crime banal (18%). A cidade ainda chora a morte do seu prefeito e não sabe o que aconteceu naquela segunda feira, 10 de setembro de 2001.
Por isso, peço a reabertura das investigações, e a entrada imediata da polícia federal no caso. Acredito, que apenas dessa forma poderemos, de fato, saber quem matou, quem mandou e quais os motivos do assassinato.
Gostaria que a verdade fosse apurada até as últimas conseqüências, porque não tenho dúvida que somente ela poderá nos guiar ao caminho da justiça.
Certa vez, um importante jurista brasileiro lembrou que nem sempre a verdade é alcançada de forma rápida e tranqüila, às vezes ela nunca é encontrada, no entanto, ela deve ser alvo permanente de todos aqueles que acreditam que a justiça deva sempre ser cumprida, que a impunidade é cúmplice da violência, amiga do medo e comparsa do crime.
Acredito em você, companheiro presidente e acredito
no seu compromisso e na sua solidariedade para comigo e minha
filha.
Espero que a justiça seja feita, pelo bem da cidade,
pelo bem da sociedade que acredita nas instituições
democráticas e, fundamentalmente, para que a verdade
seja colocada acima de tudo.
Campinas, dezembro de 2003.
Roseana Moraes Garcia