
O juiz José Henrique Torres, presidente do Tribunal do Júri de Campinas, rejeitou (impronunciou) a denúncia do Ministério Público que acusava a quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como a responsável pelo assassinato do prefeito de Campinas Antonio da Costa Santos, o Toninho, há seis anos. A decisão foi anunciada hoje e deve ser publicada nos próximos dias.
Desde o crime, em 10 de setembro de 2001, a família e amigos do prefeito denunciam irregularidades cometidas durante a apuração do caso pela polícia civil de Campinas- SP, e lutam para que haja investigação na esfera federal. Após toda a lambança feita no caso, a Polícia Civil afirma que o prefeito foi morto ao atrapalhar uma fuga da quadrilha.
“Esta decisão prova, mais uma vez, que toda a investigação foi equivocada, com muitas contradições, restando vários indícios a serem apurados. Desde que o Toninho foi assassinado iniciamos uma luta para denunciar que a morte dele foi um crime político. Agora, esperamos que o Governo Federal autorize a imediata intervenção da Polícia Federal nas investigações, dando ao caso a importância que ele tem”, diz Roseana Moraes Garcia, viúva do prefeito. No primeiro semestre de 2004, foi entregue um abaixo-assinado ao Ministro da Justiça, Márcio Tomás Bastos, requisitando a intervenção da Polícia Federal, o que não foi autorizado até o momento. A Comissão de Direitos Humanos, elaborou relatório, após cuidadosa análise das quatro mil páginas do processo criminal em curso, e conclui pela necessidade de intervenção da Polícia Federal no caso conhecido com Caraguatatuba – onde os principais acusados de ter assassinado o prefeito, foram executados durante uma polêmica ação da polícia civil de campinas (relatório disponível no sítio www.quemmatoutoninho.org – link downloads)
O movimento “Quem Matou Toninho?” criado para lutar por justiça e contra a impunidade denunciando a falta de investigação e a tese de crime político, lançará, nos próximos dias, uma Carta Aberta pedindo para que o Ministério Público não recorra da decisão, visando com isso a imediata retomada das investigações.
Vamos iniciar uma campanha para que o MP acate a decisão do juiz e reabra as investigações, buscando apurar quem mandou assassinar o prefeito!
Seis anos se passaram desde que o prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos, foi assassinado dentro de seu carro, a alguns quarteirões de sua casa, sem que se saiba quem o matou nem por quê. O Departamento de Homicídios de São Paulo acusa a quadrilha de Andinho pelo crime, sem conseguir apontar os motivos que teriam feito o bando, conhecido por praticar seqüestros de vítimas previamente escolhidas, executar sumariamente o prefeito com três tiros de 9mm. Três dos quatro acusados foram mortos pela polícia depois do assassinato do prefeito. Andinho, o único acusado que sobreviveu, nega veementemente sua participação nesse crime embora tenha confessado diversos seqüestros.
Todos os que conheceram a atuação firme do prefeito Antonio da Costa Santos contra o crime organizado e a corrupção em todas as esferas da administração pública, mesmo antes de assumir seu mandato, têm motivos para duvidar da tese apresentada pela polícia e acolhida pelo Ministério Público.
Toninho foi uma figura singular. Poderia ter servido aos ricos, mas sua opção de vida e de luta foi defender os trabalhadores e as trabalhadoras da cidade, para os quais sonhava com uma vida melhor e mais digna. Foi, por isso, um incansável batalhador social. Foi um verdadeiro arquiteto do povo.
O seu assassinato impediu que ele colaborasse nessa luta, através da Prefeitura de Campinas. A única forma, nesse momento, de honrar sua trajetória de compromisso com o povo de Campinas, cidade que ele tanto se dedicou, é esclarecendo cabalmente as condições verdadeiras de seu assassinato.